Enquanto chuva cai
Ouço tua canção
Os pássaros se camuflam
Líquido, desce em teus bicos.
Ossos trêmulos, frágeis.
Cobertos, algo que lembra linho.
Tecem a eternidade
Fóssil do amanhã.
A música soa tranqüila
Os ventos a levam
Norte, sul
Austral, boreal
Migram freneticamente
O tempo é complacente
Branco, preto, se fundem.
Olhos de cobiça estão no solo
Estrondo...
Algo rasga o céu
É insólito no ar
Rápido, como a morte.
O metal, o sangue.
Entrelaçam, e se lançam.
Um corpo no solo
Um cheiro no ar.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Pássaros
Postado por Ykaro Venancio & Filipe Tavares às 08:13 0 comentários
Carta aos Mineradores
Um cubo espiralado
Entre cem objetos
Não foram vistos
Nem adquiridos
Papeis em lâminas
Como planícies do norte
Trazem cartas de boa fé
Apenas uma, o sinal da morte.
A fome ingere esperança
A cobiça seca os rins
Acorda cedo, dorme tarde.
Completando o circulo vicioso e perigoso.
Agora não é cubo
Bola de cristal
...
Tentando achar a saída.
Postado por Ykaro Venancio & Filipe Tavares às 08:09 0 comentários
A Casa Familiar
Um movimento de incômodo. Ela se levanta, cantando, uma de suas últimas músicas, dos últimos 80 anos que se foram. O dia se mostra um pouco chuvoso, a semana parecia não ter fim. Seu neto, sentado, relembrando coisas que não devia, (Olhos Negros), não queria pensar naquilo, o tempo, estático, se pronunciava incômodo, na medida em que parecia não existir. Casa antiga, 20 e três primaveras, atravessados por aqueles que a habitavam, talvez ainda insistissem.
Sombras delineiam as vontades do jovem, angústia por não viver, além de saudosista, não aceita o que não lhe vem a ocorrer, debaixo de nuvens em tons cinza, azul, um olhar para o nada, cheiro de chuva.
E como em tempos passados, um amor lhe vem até a consciência, amiga, ou não em tempos modernos, e como isso lhe irrita, e como isso lhe irrita! Agora não, duas gerações aproveitam o momento, uma bela refeição, os olhos do jovem entristecem, o tempo esta acabando, mas nem tudo se perde, tudo vem a se transformar, e se formam os cantos dos pássaros, como em um flash, um filme que não foi lançado se forma neste cenário familiar, e como em todas as outras vezes, o resto vai se consolidando, a realidade surge em luz, e nos conduz, ao final desta tarde.
Postado por Ykaro Venancio & Filipe Tavares às 08:08 0 comentários
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Eu não queria ser discreto
O discurso é indireto
Você e eu, aqui, sobre o mesmo teto
O tétano reage, não agüento o alarde
A ira não me deixa, pareço um inseto
Agora o toque gélido do sol
Não ilumina minha casa
Estava contente sobre teu lençol
Mas agora já nem importa
Esta vida é limitada
Veio assim, fugaz, intrépido
Pálido, ou simplesmente cético
...
Túrgido, entre desejos e sonhos
Postado por Ykaro Venancio & Filipe Tavares às 10:33 0 comentários
sábado, 3 de outubro de 2009
Daqui Eu Prefiro o Silencio
O dito, cujo, percurso preparado
Me leva a lugares desconhecidos
Minha mente pressupõe o incógnito
Mas meus olhos ja estiveram aqui
E não se encantaram
Objetos, aqui, ali, ah sim, eu vi
Agora a boca resseca com rangidos
O coração, esta denso e mórbido
Perdeu a graça, perdi o sono
Os verbos não alimentam paráfrases
Copia o submundo
Agora sim, eu pude rir
Deste teatro insólito em que vivemos
Eu, entre subterfúgios, chamei aquilo de vida
Um espetáculo, cujo maestro deixa seus fantoches
Aprenderem sozinhos com o destino que lhes foi dado
Mas nao, nas profundezas desta fábula
Seus corações não eram de madeira
Esqueçeram-se do criador
Intitularam-se deuses
Se acharam muito bons
Para sentirem a paz e a caridade
Que se perderam na autópsia da humanidade
Postado por Ykaro Venancio & Filipe Tavares às 11:07 0 comentários
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
A arte cria vida nas mãos do talento
O julgamento dado não pode ser aceito
Entre velas e escombros o vento seca,
Cada pincelada, o rosto de uma amada se forma.
Os olhos do homem à beira se enchem de gotas,
A noite formula verbos de amor e agonia
Era como se ele pudesse sentir o ósculo de tua amada
No gosto pálido e obscuro da tinta fresca
Mais uma vez ele se lembra das noites em claro
O teatro já não proclamava teu nome
Os shows já não existiam para ele
E o artista dentro de ti clama por uma glória
Glória que infecta sua garganta
Impedindo que os verbetes cheguem aos pés de sua paixão
E por mais triste que lhe pareça chegar o fim
O talentoso artista enfeita e pinta, encanta mais uma tela.
Aquela que poderia ser a última, mas por tão encarecida.
Tua misericórdia abrange agora novas cores
Em um mundo de pouca esperança e medo
O talento, agora acompanhado do som de seu piano.
Incrementa um brilho especial na lua
Que dedicou àquela que um dia lhe tocou os lábios
Túrgidos com o frio que assola a noite
Aquela que semeou no coração daquele homem
A melhor de suas aspirações...
O verdadeiro amor
Que suporta o frio e a distancia
Quebrando a barreira das eras.
Postado por Ykaro Venancio & Filipe Tavares às 12:31 0 comentários
domingo, 28 de junho de 2009
O Desafio de Conviver com a Diferença
Hoje é difícil permanecer em mesmo estado critico quando se avalia os conceitos morais, étnicos e culturais da população, sendo do mesmo povo, da mesma nação, muitas regiões apresentam discriminação sobre alguns de nós sermos diferentes, ou se nos originamos de diferentes regiões, fazendo com que a população nos observe sobre outras lentes.
A diversidade é reciprocamente descrita no cotidiano de todos, nos levando a perceber que tudo o que enfrentamos na sociedade é de nosso fruto. Nas diferentes regiões por exemplo, no norte e nordeste, não existe tamanho preconceito, se o individuo seja de outra região ou de diferente classe social. Alguns lugares tentam expressar como superaram esse fato que hoje é muito discutido. Em alguns lugares existem departamentos especiais para cuidar de casos de discriminação, como muitos enfrentados no cotidiano como, preconceito racial, étcnico-culturais, no caso às vezes de índios, e ate mesmo preconceito com deficientes (físicos, mentais, etc).
O que notamos é que não só a diferença de classe social ou de classe étnica, a população se conscientiza cada vez mais, para não só cometer erros, mas também para aprender a ser manifestar em novas comunidades e também novas classes. Ignorando assim os fatos com que se preocupavam antes, como na produção do individuo, incapacidade mental e física, alem de outros argumentos. O fato de sermos separados, diferentes, pode nos mostrar que somos muito mais unidos e semelhantes no nosso cotidiano do que imaginamos.
Entre novos meios de comunicação e de integração, todos podemos superar os fatos que parecem nos separar de nossos semelhantes, construindo uma sociedade melhor.
Postado por Ykaro Venancio & Filipe Tavares às 12:10 0 comentários