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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pássaros

Enquanto chuva cai
Ouço tua canção
Os pássaros se camuflam
Líquido, desce em teus bicos.

Ossos trêmulos, frágeis.
Cobertos, algo que lembra linho.
Tecem a eternidade
Fóssil do amanhã.

A música soa tranqüila
Os ventos a levam
Norte, sul
Austral, boreal

Migram freneticamente
O tempo é complacente
Branco, preto, se fundem.
Olhos de cobiça estão no solo

Estrondo...
Algo rasga o céu
É insólito no ar
Rápido, como a morte.

O metal, o sangue.
Entrelaçam, e se lançam.
Um corpo no solo
Um cheiro no ar.

Carta aos Mineradores

Um cubo espiralado
Entre cem objetos
Não foram vistos
Nem adquiridos

Papeis em lâminas
Como planícies do norte
Trazem cartas de boa fé
Apenas uma, o sinal da morte.

A fome ingere esperança
A cobiça seca os rins
Acorda cedo, dorme tarde.
Completando o circulo vicioso e perigoso.

Agora não é cubo
Bola de cristal
...
Tentando achar a saída.

A Casa Familiar

Um movimento de incômodo. Ela se levanta, cantando, uma de suas últimas músicas, dos últimos 80 anos que se foram. O dia se mostra um pouco chuvoso, a semana parecia não ter fim. Seu neto, sentado, relembrando coisas que não devia, (Olhos Negros), não queria pensar naquilo, o tempo, estático, se pronunciava incômodo, na medida em que parecia não existir. Casa antiga, 20 e três primaveras, atravessados por aqueles que a habitavam, talvez ainda insistissem.
Sombras delineiam as vontades do jovem, angústia por não viver, além de saudosista, não aceita o que não lhe vem a ocorrer, debaixo de nuvens em tons cinza, azul, um olhar para o nada, cheiro de chuva.
E como em tempos passados, um amor lhe vem até a consciência, amiga, ou não em tempos modernos, e como isso lhe irrita, e como isso lhe irrita! Agora não, duas gerações aproveitam o momento, uma bela refeição, os olhos do jovem entristecem, o tempo esta acabando, mas nem tudo se perde, tudo vem a se transformar, e se formam os cantos dos pássaros, como em um flash, um filme que não foi lançado se forma neste cenário familiar, e como em todas as outras vezes, o resto vai se consolidando, a realidade surge em luz, e nos conduz, ao final desta tarde.