Um movimento de incômodo. Ela se levanta, cantando, uma de suas últimas músicas, dos últimos 80 anos que se foram. O dia se mostra um pouco chuvoso, a semana parecia não ter fim. Seu neto, sentado, relembrando coisas que não devia, (Olhos Negros), não queria pensar naquilo, o tempo, estático, se pronunciava incômodo, na medida em que parecia não existir. Casa antiga, 20 e três primaveras, atravessados por aqueles que a habitavam, talvez ainda insistissem.
Sombras delineiam as vontades do jovem, angústia por não viver, além de saudosista, não aceita o que não lhe vem a ocorrer, debaixo de nuvens em tons cinza, azul, um olhar para o nada, cheiro de chuva.
E como em tempos passados, um amor lhe vem até a consciência, amiga, ou não em tempos modernos, e como isso lhe irrita, e como isso lhe irrita! Agora não, duas gerações aproveitam o momento, uma bela refeição, os olhos do jovem entristecem, o tempo esta acabando, mas nem tudo se perde, tudo vem a se transformar, e se formam os cantos dos pássaros, como em um flash, um filme que não foi lançado se forma neste cenário familiar, e como em todas as outras vezes, o resto vai se consolidando, a realidade surge em luz, e nos conduz, ao final desta tarde.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A Casa Familiar
Postado por Ykaro Venancio & Filipe Tavares às 08:08
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